Pátria que me pariu

Mês de setembro começando e todos sabem o que se comemora neste período do ano. Estamos falando aqui da semana da… (?) Revolução Farroupilha, é claro! Acampamentos são montados, galpões são erguidos, desfiles são organizados em meio a churrasqueiras que começam a funcionar diariamente e bombachas que viram até artigo de moda, sendo vestidas por muitas pessoas de diferentes idades, credos, tribos, etc. Mas antes disso tudo, tem aquele outro feriado. Como é o nome mesmo? Ah, o 7 de Setembro! Dia que os estudantes vão às ruas desfilar com o maior orgulho e vontade. Vontade de ganhar a nota por participação ofertada pelo professor. Caso contrário, ninguém vai. Ninguém se reúne para lembrar tal data, nem sai por aí com bandeiras em verde e amarelo pelas ruas. Muito menos estufa o peito com orgulho e satisfação por ser brasileiro. Tirando os jogos de Copa do Mundo, é claro. Basta ver em nossos estádios de futebol.
Hora do Hino Nacional: torcidas cantando suas músicas, pessoas conversando, todo mundo numa grande dispersão. A televisão quando vem cobrir jogos no Estado deve penar pra achar um indivíduo cantando o Hino nas arquibancadas. E quando acha, foca só nele.
Hora do Hino Rio-Grandense: os que estão sentados se levantam já com a mão no peito. Os que antes estavam dispersos, são cutucados para terem mais atenção e respeito naquele momento. E aí uma massa de 30, 40 mil pessoas entoa o cântico gaudério. De arrepiar, não? Pra nós gaúchos, é claro. Pro resto do País, não.
Lembro até de um jogo entre Grêmio e Santos na Vila Belmiro pelas semifinais da Copa do Brasil do ano passado, quando o telão do estádio santista, enquanto era executado o hino nacional, mostrou a seguinte frase: “Aqui, nós respeitamos o hino brasileiro”.
Mas onde foi parar o nosso patriotismo canarinho? Ou melhor, onde que começou a falta dele? Se você, por acaso, faz tudo ao contrário do que foi escrito acima, você é um dos poucos. E provavelmente não tenha sido amamentado a chimarrão quando pequeno.
Uns falam que é porque não combinamos com o resto do País, que somos até mais parecidos com os argentinos e uruguaios em seus costumes, vestimentas e gastronomia do que com os paulistas, cariocas, mineiros e por aí vai. Ok, isso é realmente verdade, não há como negar. Mas quem disse que para termos orgulho da pátria é preciso ser parecido com o resto dela?
Não somos malandros como os cariocas? Quero ver malandragem tão bem armada como a do aumento de 73% dos salários dos nossos deputados estaduais. “O Brasil não tem jeito”, podem dizer alguns. E nós, temos?
Todos os dias os jornais amanhecem com algum grave problema, alguma tragédia estampando as principais páginas ou sendo destaque na televisão. Absurdos que vão passando como se fossem coisas normais aos nossos olhos. São pessoas sofrendo em filas de hospitais, crianças sem escola, bairros mais humildes sem a mínima condição de moradia, assaltos, sequestros, corrupção política e… mortes. No trânsito somos recordistas! Vamos ver qual será o número dessa vez após os feriados de setembro. E tudo isso é o nosso Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor.
Pessimista, eu? Que nada! Sou um dos mais bairristas, na verdade! Mas não fecho os olhos para os problemas que temos aqui. E ao invés de ficar na rede tomando água de côco e esperando o tempo passar, temos é que vestir a pilcha e partir pra luta. Porque essa é a principal diferença que temos do restante do País. Na minha opinião, é claro.
“Quem foi a pátria que me pariu?”, se pergunta o carioca Gabriel, O Pensador. Se ele não sabe a dele, eu sei qual foi a minha. Foi a que mostrou valor e constância naquela ímpia e injusta guerra.

*Essa foi a minha coluna nº 39. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 2 de setembro de 2011.

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Fale de mim

“Fale mal de mim, fale o que quiser de mim. Mas, por favor, não deixe que em nenhum momento, eu deixe de estar no seu pensamento…”.  A frase que inicia a coluna de hoje é trecho de uma das músicas mais conhecidas dos Autoramas, banda brasileira que já rodou o mundo e hoje perambula por festivais independentes no País. Sempre sendo “headliners”, é claro. A letra da canção, em tom totalmente irônico, expõe a opinião da personagem que diz gostar de ser assunto. Assunto positivo ou negativo. Mas assunto. Aliás, se pararmos pra pensar um pouco, certamente iremos lembrar de algum conhecido que combine com tal ideia.
Na última semana recebi um e-mail assustador. E não é exagero. Foi assustador mesmo! Era uma newsletter da Rádio Ipanema, emissora que pertence ao grupo Bandeirantes e que é referência em todo o território nacional por não tocar músicas de universitários que gostam de Sertanejo, adolescentes coloridos e muito menos o trio “Pagode, Axé e Funk”. Sabe aquela baita música que é sucesso nos alto-falantes dos carros que desfilam pelo Centro da cidade aos domingos? Não toca lá! Então, a rádio é realmente boa!
O que me assustou foi que em meio a essa newsletter, que divulgava o (ótimo) Primal Scream que está por vir, havia uma notícia de que a rádio iria mudar e que a partir desta semana a Ipanema seria outra. Pronto. Daí para os Trending Topics do Twitter foi um pulo. O que deu credibilidade para a notícia, foi que os próprios radialistas nas redes sociais e em seus programas, mostravam indignação com a situação. Além disso, a explicação para tal mudança era crível: a rádio não fatura tanto quanto uma que toca músicas mais populares e a Band teria resolvido tomar outro rumo com tal emissora no Estado.
Diversos blogs já anunciavam o fim de uma era. Eu mesmo conversei com um dos locutores da Ipanema e ele me mostrou insatisfação com o caso. Teve gente sendo cortada ao vivo, no ar. Tudo isso porque na última segunda seria o início desta “nova fase” da rádio. Tinha até uma festa pra isso, que eu mesmo havia confirmado presença e logo em seguida cancelado. Afinal, não concordava com a ideia.
O problema é que tudo começou a parecer muito “fake” e a galera chiou. No Twitter, é claro. Mas chiou. E muito. Os fãs, ouvintes da Ipanema, começaram a se sentir traídos pela história toda. Enquanto essas pessoas já haviam entendido que era tudo falso, outros estavam começando a saber da história, o que forçava os participantes a continuar com o rolo. Na segunda logo cedo, a rádio só tocava coisa ruim. Eu já tinha me dado conta da brincadeira, mas mesmo assim era triste ouvir aquilo tudo na Ipanema.
Acredito que o objetivo desta campanha tenha sido alcançado. A Ipanema foi assunto, foi falada, comentada por seus ouvintes e por quem nem tem a 94.9 no dial do rádio do carro. Porém, vi muitas pessoas indignadas com a ideia e com a enganação toda. Quem sabe, porque têm um carinho pela rádio, pela marca. É como se um membro da família fosse dado como morto e um dia depois aparecesse gritando: “Há! Pegadinha do Mallandro!”. Tu não ficaria com raiva pela brincadeira e feliz por ver a pessoa ali? Pois é… Ou também pelo fato de a ideia não ter sido bem costurada com a programação, com os envolvidos, com o que a rádio tinha proposto… Se teve algo de negativo nisso tudo, não foi de terem falado mal. Mas sim, de os fãs terem falado mal.
Tem gente que faz de tudo pra aparecer, sem se importar com a repercussão. Tem a turma dos que não aparecem por medo de não terem uma positiva repercussão. Achar a linha tênue entre um e outro é o ponto G da estratégia. E como tal, tem os que não encontram, o que acham que encontram e os que são enganados de que encontraram. Bem ou mal, falem de mim. Ou da Ipanema.

*Essa foi a minha coluna nº 38. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 19 de agosto de 2011.

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Gangue da Repressão

Sabe aqueles países distantes que aparecem volta e meia em matérias com correspondentes especiais, tanto na TV como em jornal impresso, mostrando a dura realidade de um povo oprimido por alguma lei, alguns costumes ou também por uma certa ditadura? Falo aqui daqueles países que não deixam as pessoas se expressarem como querem nas ruas, não dão liberdade para os cidadãos e deixam nós, moradores deste país tropical, totalmente abismados com tamanha ignorância em relação a tal comportamento em pleno ano de 2011. Sempre tive pena destes povos em questão. Ficava pensando como que seria se tivessem a tal “liberdade de expressão”, o que poderiam fazer, o que iria acontecer se o acesso a conteúdos até então proibidos em seus países fosse possível, etc. Tenho pena, pois sei como é ter essa liberdade. Afinal, vivo no Brasil, um país livre. Cheio de preconceitos e pré-conceitos idiotas, mas mesmo assim, na teoria, livre. E outra: estamos em 2011 e todo mundo sabe que com a internet e as redes sociais, a tal “liberdade de expressão” ficou cada vez mais… Ahm… Livre.
Porém, nem tudo é assim e esta semana ficou marcada por dois fatos que mostram o contrário do que foi descrito no parágrafo acima. Vamos começar pelo mais “leve” deles: “A Serbian Film – Terror Sem Limites” acabou entrando para a história da cultura brasileira nos últimos dias. O longa não foi produzido aqui e, provavelmente, por ser muito ruim, não teria nenhum destaque na imprensa nacional. Se não fosse, é claro, o veto que acabou levando do governo, da Justiça e do Ministério Público (MP).
O que foi alegado é que contém cenas fortes e faz alusão à pedofilia, apesar do jovem diretor Srdjan Spasojevic frisar que o filme destaca justamente o contrário. Assim, foi proibida sua exibição em diversos festivais especializados e uma onda de protestos foi desencadeada, lembrando desde as cenas cortadas de “Macunaíma”, em 69, as bolas pretas em meio às cenas em “Laranja Mecânica”, em 71, até “Je Vous Salue Marie”, de Godard, em 85, último longa a ser vetado no país até então. Filme assim é ruim pra cultura. Programa dominicais da TV aberta não, né?
O outro caso foi o mais lastimável. O ex-vocalista da Ultramen e hoje em (ótima) carreira solo Tonho Crocco acabou de ser processado por expressar sua opinião em um vídeo que foi postado em sua página no YouTube no fim do ano passado. Sabe qual foi a opinião dele? O músico foi contra o pequeno reajuste de 73% nos salários que os deputados estaduais tiveram após uma votação feita pelos próprios na Assembleia Legislativa em dezembro.
Crocco fez um rap sobre isso no melhor estilo Ultramen, com sátiras e mensagem direta. Apontou um por um dos 36 “premiados” sem ofender ninguém e acabou recebendo uma representação do MP assinada por Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia na época. A música se chama “Gangue da Matriz” e você pode conferir aqui: www.migre.me/5pOVn.
Estou lendo a autobiografia de Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones. Passei esses dias pelo capítulo que o mesmo conta como era a repressão no fim dos anos 60, quando tudo envolvia problemas com o governo. Na opinião dele, ninguém estava preparado para lidar com aquilo tudo e as autoridades enxergavam neles, artistas, a bomba que poderia explodir e fazer com que muitas pessoas quisessem se libertar e expressar suas opiniões de diversas maneiras.
Engraçado isso, não é? Como podiam pensar dessa maneira? Ainda bem que vivemos no País Tropical e no ano de 2011, onde todos podem expressar suas opiniões.

*Essa foi a minha coluna nº 37. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 5 de agosto de 2011.

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Aos meus amigos

Se não me engano era meados de 1999. Liguei a TV em um canal que nem existe mais e logo me dei conta que estava assistindo a um dos melhores seriados da história. Revendo, na verdade, pois eu já o conhecia. A música de abertura resumia o brilhantismo daquela trama e claro, o tema da coluna desta semana. Joe Cocker, o cara da voz rouca e dos dedos que nunca param de se mexer cravou uma das mais lindas músicas dos Beatles na trilha de Anos Incríveis, a série em questão. O nome da música é With a Little Help From My Friends (com uma pequena ajuda dos meus amigos), música originalmente interpretada por Ringo Starr, beatle que fará show ainda este ano na Capital gaúcha. Sendo assim, dedico o texto a seguir a todos os meus amigos. Afinal na última quarta foi celebrado o dia deles.
O motivo real da existência deste dia, eu não sei. Na verdade, acho que esta data é como o Dia Mundial do Rock. Todos os dias são o Dia Mundial do Rock, pra quem gosta do gênero. Mas nunca é demais um dia especial no calendário para comemorações, né?
Por volta do mesmo ano que redescobri a série Anos Incríveis, eu tive uma briga na escola. Nunca fui de brigar, sair no soco. Nem acho que esta seja a solução para muitos problemas. Mas acredito que é preciso passar por uma experiência destas na vida. E eu passei. Briguei e mais apanhei do que bati, admito. Bastava analisar a quantidade de sangue presente no meu uniforme e comparar com a do outro aluno. Logo em seguida ao ocorrido, muitos dos que eu considerava meus amigos, viraram as costas. Afinal, quem quer ser amigo de um cara sangrando no meio do pátio da escola em pleno recreio?
No mesmo dia, meu pai (que é o meu maior amigo) me disse algo que lembro até hoje: “amigo mesmo tu conta nos dedos. Não importa a distância que estejam um do outro no futuro. Conhecido não é amigo”. Andando nesta mesma linha, lembro de ter assistido há alguns anos o eterno engenheiro Humberto Gessinger falar sobre a amizade dele com o ex-parceiro de banda Maltz. Gessinger disse que amigo não precisa ficar ligando um para o outro por todos os dias para saber como o outro está. Quando se encontram é como se o tempo não tivesse passado e a história então continua a mesma.
Uns eu já perdi com o tempo, se foram. Os que estão comigo são assim: churrasco, música alta e cerveja gelada. Acho que esse seria o “Kit Amizade” perfeito pra turma. Amigos esses que fui ganhando ao longo do tempo. Fui ganhando por causa da escola, por causa da música, por causa do futebol, por lugares onde já trabalhei…
Atualmente ser amigo é barbada. Basta dar um ok na solicitação feita no Facebook. Se isso é bom ou ruim? Depende de cada um. O título desta coluna tem o mesmo nome de uma das músicas mais “amigáveis” do Rock nacional. Música da Vera Loca, banda que sabe que os amigos serão todos eternos, sendo seus filhos os jovens e eles então, os modernos.
Hoje eu não vejo tão seguido os meus amigos. Não mais como era antes. Mas tenho certeza de que sempre que nos encontrarmos a churrasqueira estará com o fogo alto, a música no talo rolando solta e a cerveja bem gelada. O que é sempre muito importante numa amizade, né?

*Essa foi a minha coluna nº 36. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 22 de julho de 2011.

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O Brasil é um festival

“É, amigo… É Copa do Mundo”, já diria Galvão Bueno, narrador esportivo dono de bordões extremamente populares e conhecidos como este. Pois não é que foi esta frase que logo me veio à cabeça quando li, vi e ouvi as tantas confirmações de festivais de música e shows internacionais que irão desembarcar por aqui? Vi tudo isso com um enorme sorriso no rosto. E, claro, com um ar de tristeza também, já que não poderei ir a todos estes “compromissos”. Que o Brasil tá na moda todo mundo sabe. Isso até já foi tema de outra coluna minha há um tempo atrás. E sabe por que isso? Por causa dessa tal Copa do Mundo, amigo. Por causa dela, das Olimpíadas que virão dois anos depois e por aí vai.
Sendo assim, o mercado está mais aquecido e o País é visto como oportunidade pelos olhos destes caras bacanas que têm empresas que trazem aqueles shows tão esperados pra cá. Nesses últimos dias, tivemos a confirmação de alguns festivais no Brasil. Festivais que não estão em sua primeira edição e vêm pra esse novo ano com melhorias em relação ao passado.
Esse é o caso do SWU, festival com foco totalmente voltado para a sustentabilidade, que mudou de cidade, aumentou o número de atrações e fez um ótimo evento de lançamento transmitido ao vivo por seu site. Poucas bandas confirmadas ainda, afinal precisam do suspense. Mas uma consideração a fazer: Neil Young vem aí! Vem para palestrar, é verdade. Mas vem!
Outro que acabou de adotar o Brasil como casa é o pra lá de famoso Lollapalooza. Esse é aquele festival o qual a família Simpson faz referência no episódio que o Homer é um homem-canhão, sabe? O Lollapalooza é americano, teve no ano passado sua primeira edição chilena com o The Killers e, em 2012, será tupiniquim. Ponto pra nós!
Por falar em festival, outro que voltou pra cá foi o Rock in Rio, o maior deles. Ok, não é novidade. Mas vale a lembrança aqui nesta coluna. Entre uma atração estranha para um festival de Rock e outra, o Rock in Rio confirmou Elton John, Snow Patrol, Red Hot Chili Peppers, Metallica, System of a Down e Mutantes. Então tá valendo.
Entre tantos outros, temos o Planeta Terra em São Paulo com Strokes e Beady Eye. E também o gaúcho GIG Rock, que agora ganha uma edição na Capital paulista também. É a gauchada desbravando as fronteiras. Em Porto Alegre, o festival terá quase uma semana de shows, que começou quinta e vai até quarta. Além de bandas do Estado, um grupo uruguaio e outros de vários locais do Brasil estão confirmados. Mas a maior atração é o Television. Sim! Eles vêm pra Porto Alegre e pra um festival gaúcho. Mas bah!
Por falar no Rio Grande do Sul, Porto Alegre receberá outro beatle! Quer maior prova de que o Brasil (nesse caso a Capital gaúcha também) está na moda? Ringão vem aí! Antes dele vem o Sir Clapton, outra grande atração na qual me farei presente. E tenho certeza que boa parte dos leitores dessa coluna também. E o Roger Waters? O cara confirmou há poucos dias que desembarca na Capital gaudéria em 2012 com o The Wall. Que tal?
Com tudo isso, tá parecendo que ano que vem o mundo vai acabar mesmo. Aí já teríamos assistido a vários shows que antes eram praticamente impossíveis de vir pra cá e o Brasil não passaria a vergonha de uma Copa do Caos em 2014. Começo a acreditar ainda mais naquele (terrível) filme. É, amigo…

*Essa foi a minha coluna nº 35. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 8 de julho de 2011.

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Sonho brasileiro

Muito se fala por aí que o Brasil está uma vergonha, que a juventude está perdida e que não tem mais valor relacionado a nada. Fala-se que essa juventude não quer trabalhar, não quer estudar, não tem foco em um futuro e em uma carreira promissora de sucesso. Não vou aqui defender ninguém e nem levantar bandeira nenhuma. Mas já pararam pra pensar quem é que fala esse tipo de coisa e chega a essas conclusões? Além de ser um pessimista, a resposta é: pessoas que não são jovens e que não sabem dos atuais valores e objetivos dessa gurizada.
Nesta semana finalmente foi apresentado o resultado da enorme pesquisa feita pela Box 1824 sobre o sonho do jovem brasileiro de hoje. Eles ouviram muitos, mas muitos jovens por todo o País, com idade entre 18 e 24 anos. Sou um grande fã dos trabalhos da Box e este mais novo projeto explica um pouco o porquê. A maneira como tratam as questões e como chegam aos resultados é sempre inovadora. Por isso e por outras características é que esse pessoal atende contas do nível de Nike, Pepsico, Fiat… Mas não vamos aqui falar da agência. Vamos falar da pesquisa. Ou melhor, do resultado dela.
O estudo deixa bem claro que uma das formas de se entender as particularidades de uma geração é a comparando com as anteriores. Os pessimistas e/ou aqueles que não querem acreditar no jovem brasileiro podem parar de ler essa coluna aqui. Caso contrário, vão achar distorcidos os resultados da pesquisa. E cara, te garanto que esses resultados não têm manipulação nenhuma.
Vamos a alguns pontos importantes: essa geração não pensa em trabalho necessariamente como seus pais pensavam. Ou seja, não é apenas acúmulo de dinheiro ou status social que está em jogo. O negócio é trabalhar e se divertir, nem que receba menos dinheiro. Por falar nisso, 55% dos entrevistados afirmaram ter como seu maior sonho uma formação profissional e emprego. Só depois, com 15%, vem a casa própria, seguido de 9% relacionado a dinheiro (5% ser rico e 4% ter estabilidade financeira). E surpreenda-se: 90% diz querer ter uma profissão que ajude a sociedade.
No quesito “família”, a visão da mesma é diferente das visões de outras gerações. Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados não acha necessariamente que sua família tenha que ser composta por pai, mãe, filhos. O grupo familiar não tem que ser o de mesmo sangue. Na política, a centralização de poder é associada a um dos problemas mais graves. Dos entrevistados, 59% afirmam não se identificar com nenhum partido e 71% concordam que usar a internet como mobilização é uma maneira de fazer política. Na educação, 82% acham que as escolas e universidades falam pouco da real experiência de vida e que não é só nelas que se ganha conhecimento.
O estudo é enorme e você pode conferir tudo no www.osonhobrasileiro.com.br. Não digo aqui que está tudo bem e nem que essa geração é melhor ou pior que outras. Mas isso mostra que tá mais que na hora de parar de reclamar dessa tal juventude e olhar a situação atual com outros olhos.

*Essa foi a minha coluna nº 34. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 24 de junho de 2011.

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Esse eu vi!

Cresci ouvindo e lendo histórias sobre futebol. Acho esse o esporte mais emocionante que existe, o mais apaixonante. Há poucos dias aconteceu a segunda semifinal da Copa Libertadores da América entre os argentinos do Vélez e os uruguaios do finalista Penharol. Quem assistiu, sabe da emoção e das reviravoltas que teve esse jogo. Lembro que quando o time de Buenos Aires perdeu o pênalti que o classificaria, li um tweet assim logo em seguida: “e tem gente que não gosta de futebol”. Difícil de entender mesmo. A própria final da Copa do Brasil na quarta foi de fortes emoções. Exemplo então é o que não falta. Por falar em exemplo, a última terça entrou pra história. E o motivo foi a celebração da despedida dos gramados de um dos maiores exemplos de qualidade técnica, tática e genialidade com a bola. Não era terça de Luana Piovani de lingerie. Era terça de Ronaldo, o Fenômeno, em trajes no tamanho extra GG. Li algo engraçado nessa semana que dizia que a Nike vendia camisas da Seleção em tamanhos P, M, G, GG e R9. Coisas daquele pessoal criativo dessa tal de internet.
O fato é que ele foi “o” cara. E eu vi esse cara jogar. Poderei então contar aos meus filhos sobre ele, assim como fez meu pai quando me falou da Seleção de 82 e dos outros tantos craques que atuavam na mesma época. Até parece que há uns anos atrás, craque era o que não faltava. Hoje a gente se contenta com umas boas atuações ali e aqui de Robinho, Neymar e Cia. Acho que “craque” virou artigo raro. Sendo assim, precisa ser valorizado.
Valorização essa que por muitas vezes parece exagero. Na mesma terça da despedida de Ronaldo, conversei com uma das pessoas mais desmotivadas com o futebol que conheci na vida. Um taxista que me apontou nos poucos minutos do trajeto inúmeros motivos para ele desacreditar totalmente no esporte bretão. A grande máquina de dinheiro que se tornou o futebol, o pouquíssimo amor à camisa dos profissionais envolvidos e a quase inexistente lealdade dos atletas, empresários e dirigente com os torcedores foram alguns dos temas debatidos entre nós. Ele só não me chamou de burro por ser sócio do time que torço e pagar em dia a mensalidade que tenho, por respeito ao passageiro.
Uns dizem que o que Ronaldo fez, foi dar alegrias ao povo brasileiro. Eu, por exemplo, nunca acordei mais feliz porque no dia anterior ele fez algum gol que deu a vitória ao Brasil. Nem sou um dos maiores torcedores da nossa Seleção. Mas concordo totalmente quando o chamam de fenômeno, de craque. Quando diziam que nem andar mais direito ele conseguiria após ter destruído praticamente o joelho na época que jogava em Milão, ele se recuperou e conquistou uma Copa do Mundo, simplesmente o torneio mais importante de todos. O Messi é craque. Quantas Copas ele tem? Quantas tem o próprio Maradona? Ronaldo tem duas. Belo argumento pra merecer o título que o chato do Galvão lhe deu.
Agora vou poder falar para os meus filhos desse camisa 9. Um dos dois melhores da posição que vi em gramados canarinhos. Quem é o outro? O Nildo, é claro! Tá. Brincadeira. Foi pra descontrair, né… Valeu, Ronaldo!

*Essa foi a minha coluna nº 33. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 10 de junho de 2011.

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