Mês de setembro começando e todos sabem o que se comemora neste período do ano. Estamos falando aqui da semana da… (?) Revolução Farroupilha, é claro! Acampamentos são montados, galpões são erguidos, desfiles são organizados em meio a churrasqueiras que começam a funcionar diariamente e bombachas que viram até artigo de moda, sendo vestidas por muitas pessoas de diferentes idades, credos, tribos, etc. Mas antes disso tudo, tem aquele outro feriado. Como é o nome mesmo? Ah, o 7 de Setembro! Dia que os estudantes vão às ruas desfilar com o maior orgulho e vontade. Vontade de ganhar a nota por participação ofertada pelo professor. Caso contrário, ninguém vai. Ninguém se reúne para lembrar tal data, nem sai por aí com bandeiras em verde e amarelo pelas ruas. Muito menos estufa o peito com orgulho e satisfação por ser brasileiro. Tirando os jogos de Copa do Mundo, é claro. Basta ver em nossos estádios de futebol.
Hora do Hino Nacional: torcidas cantando suas músicas, pessoas conversando, todo mundo numa grande dispersão. A televisão quando vem cobrir jogos no Estado deve penar pra achar um indivíduo cantando o Hino nas arquibancadas. E quando acha, foca só nele.
Hora do Hino Rio-Grandense: os que estão sentados se levantam já com a mão no peito. Os que antes estavam dispersos, são cutucados para terem mais atenção e respeito naquele momento. E aí uma massa de 30, 40 mil pessoas entoa o cântico gaudério. De arrepiar, não? Pra nós gaúchos, é claro. Pro resto do País, não.
Lembro até de um jogo entre Grêmio e Santos na Vila Belmiro pelas semifinais da Copa do Brasil do ano passado, quando o telão do estádio santista, enquanto era executado o hino nacional, mostrou a seguinte frase: “Aqui, nós respeitamos o hino brasileiro”.
Mas onde foi parar o nosso patriotismo canarinho? Ou melhor, onde que começou a falta dele? Se você, por acaso, faz tudo ao contrário do que foi escrito acima, você é um dos poucos. E provavelmente não tenha sido amamentado a chimarrão quando pequeno.
Uns falam que é porque não combinamos com o resto do País, que somos até mais parecidos com os argentinos e uruguaios em seus costumes, vestimentas e gastronomia do que com os paulistas, cariocas, mineiros e por aí vai. Ok, isso é realmente verdade, não há como negar. Mas quem disse que para termos orgulho da pátria é preciso ser parecido com o resto dela?
Não somos malandros como os cariocas? Quero ver malandragem tão bem armada como a do aumento de 73% dos salários dos nossos deputados estaduais. “O Brasil não tem jeito”, podem dizer alguns. E nós, temos?
Todos os dias os jornais amanhecem com algum grave problema, alguma tragédia estampando as principais páginas ou sendo destaque na televisão. Absurdos que vão passando como se fossem coisas normais aos nossos olhos. São pessoas sofrendo em filas de hospitais, crianças sem escola, bairros mais humildes sem a mínima condição de moradia, assaltos, sequestros, corrupção política e… mortes. No trânsito somos recordistas! Vamos ver qual será o número dessa vez após os feriados de setembro. E tudo isso é o nosso Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor.
Pessimista, eu? Que nada! Sou um dos mais bairristas, na verdade! Mas não fecho os olhos para os problemas que temos aqui. E ao invés de ficar na rede tomando água de côco e esperando o tempo passar, temos é que vestir a pilcha e partir pra luta. Porque essa é a principal diferença que temos do restante do País. Na minha opinião, é claro.
“Quem foi a pátria que me pariu?”, se pergunta o carioca Gabriel, O Pensador. Se ele não sabe a dele, eu sei qual foi a minha. Foi a que mostrou valor e constância naquela ímpia e injusta guerra.
*Essa foi a minha coluna nº 39. Publicada no Jornal Informante de Farroupilha no dia 2 de setembro de 2011.